Publicado por Bozatski em 10/Agosto/2008

Conhecida por sua ciberpolícia, a China também recorre maciçamente aos serviços de internautas profissionais que defendem o ponto de vista do governo e do partido nos fóruns de discussão.
Esta entrada foi publicada em 10/Agosto/2008 às 10:33 am e é arquivado em Colégio SESI.
Você pode seguir qualquer respostas para esta entrada através de RSS 2.0 feed.
Você pode deixe uma resposta, ou trackback do seu próprio site.
Bozatski disse
07/08/2008
China contrata internautas profissionais para defender o governo na Web
Brice Pedroletti – Le Monde
Em Pequim
Conhecida por sua ciberpolícia, a China também recorre maciçamente aos serviços de internautas profissionais que defendem o ponto de vista do governo e do partido nos fóruns de discussão. Na rede, esses “comentaristas” um tanto especiais, meio guardas vermelhos e meio mercenários, são chamados de “wu mao dang”, ou “bando dos 5 centavos” – porque originalmente eles receberiam 5 centavos por comentário.
Tudo começa em 2004. Uma recomendação do Ministério da Educação e da Liga da Juventude Comunista aconselha a “reforçar a educação ideológica dos estudantes” e “controlar melhor a utilização da Internet nos campus”. Na época os serviços de BBS (Bulletin Board Service) das universidades eram o local de debates intensos sobre todos os assuntos. Alguns desses fóruns são conhecidos em todo o país, como o ytht.net da Universidade de Pequim, onde sopra um vento cada vez mais crítico. Os estudantes se conectam de manhã até de noite, assim como pessoas externas ao campus, a ponto de às vezes haver centenas de milhares de inscritos, enquanto os campus não têm mais que 10 mil a 20 mil estudantes.
Mas o que parece uma Tiananmen virtual em gestação causa preocupação, sobretudo quando um artigo publicado em um site influente, qianlong.com, faz muito barulho: americanos e japoneses empregariam “espiões da net” (“wangte”, um termo que se torna onipresente) para manipular os BBS chineses. É verdade que a Internet é uma libertação para os chineses anestesiados por uma imprensa estreitamente vigiada: os rumores mais loucos circulam lá. Desde setembro de 2004, o ytht está fechado. Através do país os fóruns mais visitados nas universidades foram suspensos um a um para “manutenção” durante 2005. Os estudantes se queixam em vão. Rapidamente, novas regras proibiram o acesso aos fóruns de pessoas que não seguem cursos e obrigam os participantes a se registrar com seus verdadeiros nomes junto à administração. As equipes de censores foram reforçadas.
Foi durante esse expurgo que nasceu o projeto de lançar batalhões de “comentaristas da Internet” (“wangluo pinglun yuan” em chinês). Sua missão é influenciar as discussões “no bom sentido ideológico”. Assim, o Instituto de Ciências e Tecnologias de Henan decidiu em 2004 “recrutar equipes de comentaristas dos sites da Internet das universidades para intervir no BBS do campus e em alguns sites fora do campus”. É preciso “intervir nas discussões e orientar os comentários sobre os temas que mais preocupam os professores e estudantes”, explica um documento encontrado online no site do instituto, na seção “propaganda”… “Diante dos acontecimentos repentinos, é preciso orientar a tempo as opiniões, defender as interpretações corretas e manter uma voz positiva… a fim de garantir ao máximo a estabilidade das universidades.” Não poderia ser mais claro.
Encontram-se na Internet chinesa dezenas de circulares oficiais desse tipo, redigidas na linguagem típica da burocracia, cheias de expressões marciais e de exortações para manter a linha do partido: elas não são secretas e revelam a sinistra crônica de uma contra-ofensiva em regra, diante do desafio representado para o partido dos novos espaços de liberdade de expressão abertos pela Internet. Uma universidade de Hunan explica que cada “comentarista da Internet” deve, além de comentários regulares – “no mínimo 20 por mês” -, “produzir pelo menos um artigo de propaganda positiva por mês” nos fóruns de discussão, “ressaltando os grandes progressos realizados para tornarem-se universidades de renome mundial, abertas e polivalentes”.
Os primeiros comentaristas da Internet são estudantes. Em 2006, um despacho da agência Xinhua descreveu assim a dedicação de uma estudante da universidade de Jiangnan em Wuxi, envolvida de maneira voluntária a favor da educação patriótica de seus camaradas nos BBS – ao lado, segundo se lê, de “outros mil ‘honkers’”, abreviação de “hacker vermelho”, quer dizer, internauta patriótico.
Depois que as universidades contrataram equipes de estudantes zelosos, com freqüência membros da Juventude Comunista, a fórmula foi reproduzida em todas as escalas das administrações provinciais. Na escala nacional, recorrer a isto tornou-se uma obrigação ardente: em um discurso pronunciado em 2007, o presidente Hu Jintao pediu aos quadros do partido “que exerçam sua supremacia sobre a opinião pública na rede, para elevar o nível e o estudo da orientação online e explorar as novas tecnologias para disseminar uma propaganda positiva”.
Desde então as diretrizes nacionais incitam a selecionar “camaradas de bom perfil ideológico… dotados de grandes capacidades e de uma grande familiaridade com a Web… para formar equipes de comentaristas de Internet”. Espalha-se o rumor de que eles recebem 5 mao por comentário – na realidade muitos são funcionários públicos assalariados e recebem um bônus por artigo e por comentário.
Segundo David Bandurski, do Centro de Estudos de Jornalismo e da Mídia da Universidade de Hong Kong, essa propaganda política da era da Web ocuparia cerca de 280 mil pessoas – para mais de 250 milhões de internautas chineses. Em um dossiê sobre o assunto redigido no último número da “Far Eastern Economic Review”, esse especialista estima que “existe uma convicção muito forte entre os dirigentes chineses de que a China deve se defender das forças exteriores hostis e que a Internet chinesa é um campo de batalha crítico”.
Hoje haveria “wu mao dang” até nos grandes portais da rede, que lhes pagariam eles mesmos. Seus serviços se banalizaram: em um relato publicado no site Youth Week-end sobre as medidas tomadas pelas autoridades de Wengan para “canalizar” a imprensa e a opinião pública depois de rebeliões que ocorreram em junho, um repórter chinês descobriu que uma dúzia de professores e funcionários públicos foram selecionados pelas autoridades para desmentir os rumores na Internet através de comentários anônimos.
Os internautas chineses, no entanto, são cada vez menos enganados: nos fóruns de discussão o termo “wu mao dang” soa como um insulto diante de um comentário conforme demais com a linha oficial. E depois os transformam em zombaria: “Com a inflação, está na hora de passar para 6 mao!”, prega um usuário. “Quando eu li esse termo, primeiro senti uma grande alegria, pois pensei que havia nascido um novo partido (“dang” em chinês). E além disso era um partido sem Mao (outro sentido de “wu mao”)”, zomba outro internauta, com o pseudônimo de “Lua que se põe na bruma”. Uma espécie de “devolver ao remetente”.
http://www.lemonde.fr
Ingrid Dayk disse
oi me add no msn ingrid.dayk@hotmail.com tenho cam add lla gatos !
Ingrid Dayk disse
oi galera muito legal o blog de vocês
esstol trosseno por v6
\o/
Ingrid Dayk disse
vo faze mais um comentario