Brasil e emergentes ganham mais poder no FMI
Publicado por Bozatski em 29/Março/2008
O Brasil foi um dos quatro países mais beneficiados pelo realinhamento da divisão de cotas e de votação anunciado nesta sexta-feira (28) pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. A medida é resultado direto da pressão exercida nos últimos anos por países-membros para que economias emergentes tenham mais peso e a instituição recupere parte da legitimidade perdida.
Blog do PVC
Folha de São Paulo
bozatski disse
De acordo com o revelado ontem à tarde pelo francês, o Brasil passa a ter uma cota de 1,78% no Fundo, ou 40% a mais do que antes. Passa a ter também um poder de voto de 1,72%, ou 22% mais do que antes. Só tiveram elevações maiores a China, a Coréia do Sul e a Índia. São 185 os países-membros da instituição.
Entre as medidas do pacote anunciado pelo diretor-gerente, a mais importante é a revisão a cada cinco anos da divisão de cotas e votação, uma das bandeiras das economias emergentes que até a manhã de ontem encontrava resistência de países desenvolvidos liderados pelos Estados Unidos. Assim, o país que crescer no período terá seu poder de fogo dentro da instituição aumentado –e vice-versa.
Como as economias que mais cresceram neste século até agora foram as emergentes, esse é o bloco que teoricamente mais ganha com a medida.
Além disso, muda o cálculo e o peso do PIB (produto interno bruto) para que o crescimento de um país seja quantificado, outra velha reivindicação dos emergentes. Com 50%, passou a ser a variável de maior peso na fórmula, que leva em conta também itens como reserva de mercado, abertura da economia e reservas.
Muda ainda qual o PIB será considerado. Até então, só valia o medido pela taxa de câmbio do mercado; agora, será uma mistura desse e do chamado PIB de paridade do poder de compra (PPP, na sigla em inglês), numa proporção de 60% e 40%, respectivamente.
A vantagem para as economias emergentes é que, numa crise financeira, a moeda local geralmente se deprecia e com isso leva para baixo o valor nominal do PIB tradicional. Já o chamado PPP é mais estável. “Sempre achei que mudar é melhor do que ficar como estava”, disse ontem Strauss-Kahn a jornalistas do mundo inteiro reunidos na sede do Fundo, em Washington. “Somos a primeira e única instituição das criadas após a Segunda Guerra [1939-45] que se mostra capaz de organizar uma mudança assim.”
“É um passo significativo, sem dúvida, mas é parte de um processo que tem de continuar”, disse à Folha Paulo Nogueira Batista Jr., diretor-executivo do FMI, para quem o Brasil foi um dos grandes beneficiados. O brasileiro representa no Fundo um grupo de nove países –além do Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago.
Ele cita como exemplo sua cadeira. Com as mudanças de ontem, o peso foi de 2,4% para 2,8%, e a posição no poder de voto, de 21º para 18º. Ainda assim, para o economista e colunista da Folha, ainda há o que fazer: “Foi um passo na direção certa, mas não resolve os problemas de governança e de legitimidade da instituição”.
Agora, os chamados “governadores”, representantes de cada país na instituição, devem votar até o final de abril se aprovam ou não as medidas. No Brasil, o cargo é ocupado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que deve votar a favor (leia texto nesta página).
É preciso que pelo menos 85% dos países-membros estejam de acordo; nos cálculos de Strauss-Kahn, se a votação fosse hoje, haveria “pouco mais de 86% a favor”.
Aprovado o pacote, cada um dos países-membros leva as medidas ao seu Legislativo, para que sejam discutidas e aprovadas. Esse processo final pode levar vários meses.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u386992.shtml
bozatski disse
Nenhum comentário até agora?
Reclamam, reclamam, e reclamam do Banco Mundial e do FMI, e quando o Brasil se tornar um dos xerifies? Daí vai continuar não prestando também??????? Cadê os socialistas para deixar comentários??????????
jhonata disse
Hehe…
Com o PIB alto vai aumentar o preço do dóllar?
Sera mesmo que vai mudar tantas coisas assim no Brasil?
jhonata disse
Ah, lembrei de uma, o que vocês acham sobre a idéia de Mccain, ele quer que o Brasil faça parte do G8, vocês acha que isso vai ajudar ao Brasil crescer mais?
andertaker disse
Eu penso que a maior mudança que poderia ocorrer nessas grandes Ifis (Instituições Financeiras Internacionais) seria uma mudança de direção em suas políticas econômicas. As políticas puramente neoliberais de cortes de gastos públicos, privatizações (que é diferente de desestatização como propóe o jornalista Joelmir Beting) e de enfraquecimento sistemático do Estado do bem estar social tem se mostrado ineficientes para distribuir riquezas. O Brasil continua campeão em concentração de riquezas nas mãos de poucos perdendo para meia dúzia de países africanos. Apesar de ser considerado economia emergente, ao ponto do Republicano Maccain propor a entrada do Brasil no G8, continuamos com uma grande dívida social.
Aliás o Rio Grande do Sul confirmou hoje que necessita de 1.000.000.000 de dólares para investimentos empretados do Banco Mundial. Será um bom negócio? esse dinheiro se reverterá em emprego e renda para a população? Pergunto isto porque quem paga a conta de governos irresponsáveis somos todos nós. Governos não quebram, quem quebram são as pessoas.
É só observarmos a escalada da dívida externa desde a década de 70, com juros exorbitantes de 20% ao ano. Sou a favor de que se pague o que é justo. Se eu contraio uma dívida em um banco, tenho que pagar, eu emprestei porque quis. Agora, com a ilegalidade dos juros exorbitantes, será que a dívida externa já não está paga?
Por isso insisto na mudança na direção política dessas instituições, como BM ou FMI: ganhar mais poder em uma instituição que com suas políticas leva a injustiças não me parece ético. Aguardo reformas que tornem a instituição realmente democrática e moralmente ética.
jhonata disse
Concerteza esse dinheiro que o Rio Grande Sul, vai ser usado vai ser bem gasto, se não for por coisas para o povo, os políticos concerteza irã dar um final feliz a esse dinheiro.
É difícil, o Brasil paga uma divida e entra em outra.
Por que tanta divida? Será mesmo que é necessário esse dinheiro?
Como o país não consegue usufruir apenas do dinheiro em que ele produz?
jhonata disse
Seria bom para o Brasil se ele entrasse no G8?
jhonata disse
O LULA ta querendo sair do PT, por causa do 3° mandato, vocês acham uma boa coisa isso?
zanelato disse
Acho que ele esta fazendo um pouco de cena, para dizer que é contra um terceiro mandato mas duvido que se ele se reeleger não ira ezercer sua candidatura com muita com muita alegria.